segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Everybody hurts... sometimes


"... Well, everybody hurts
Sometimes, everybody cries
And everybody hurts, sometimes
So hold on
Everybody hurts
You're not alone... "

Não tem jeito, a vida é isso mesmo...  Seja da forma e no tempo que for, algum dia, a gente vai sim, trombar com alguma adversidade...
Umas maiores, (ás vezes, beeeem maiores) outras menores, mas que nem por isso deixarão de doer...
De uma forma egoísta, costumo dizer que a maior do mundo é sempre a que dói na gente.
Nestas horas, aquele blá blá blá de Poliana "- Veja pelo lado bom " é de cravar, e o  "- Tem coisas piores" acaba sendo inútil...
Mente quem disser que pensar na tragédia do Haiti anestesia a dor sentida ou alivia a "síndrome do Atlas" (quando sentimos todo o peso do mundo nas nossas próprias costas...)
A boa notícia é que, seja qual for a crise, uma coisa é certa:
Tudo passa... 
Então, soldado:
Avante na batalha!!! Guenta firme e Força nessa peruca!!!!
Se der vontade, lá pelas tantas, dê-se ao direito de mandar às favas a educação, e se quiser, pode berrar, chorar, espernear, xingar e perguntar - Por queeeee???? (faz parte...)
Mas, depois de extravazar, acalma tua mente e tua alma; Transforma a tua energia de luto em luta, olha ao teu redor,  percebe (e recebe) os que querem te ajudar, e que (muito provavelmente) já passaram por alguma também...  
Estamos aí... se precisar, é só berrar!!!!
Concentra na imagem do dia em que isto tudo, já mais distante, será experiência somada na bagagem da tua evolução...


E não esquece:
Isto também vai passar!!!!
Vamo que vamo que dá!!!

Trilha sonora:
R.E.M - Everybody hurts
Quem disse que música (além de tudo) não pode ser uma grande conselheira??
Vale constatar que os maluquinhos, além de muito talento, tinham muita sensibilidade... 
*Legendado, para ninguém dizer que estou de sacanagem...  ( ; 

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Que tempo bom ...

 
O.K!!
Agora é oficial:
Sou uma jurássica- velha guarda- "das antiga"- saudosista!!!
Hum... não viu a menor novidade nisso? 
Vou fingir que não percebi sua maldade... E completar:
Com muito orgulho!!!!
(Sinceramente, deixei de lado certos pudores, e já não estou nem aí de entregar minha idade...) 

Minha "memória de elefante" acabou fazendo de mim um ponto de referência anos 80/90.
Já recebi ligação desesperada de gente que não conseguia lembrar o nome de uma música de uma novela de 1.900 e ploc...
Foi divertido ouvir: 
- Me disseram para te perguntar... se tu não soubesses, ninguém mais saberia... (UaU!!!) 
(E, modéstia a parte, 5 minutos depois eu já estava mandando a música, banda, letra e clip...)
Sempre gostei de relembrar sucessos, jingles, propagandas, músicas, fatos e personagens dos anos 80 e 90,  mas,  o que antes era só desafio de memória, agora é orgulho master das coisas boas do meu tempo - bem coisa de mãe, e que  agente achava super careta!
(Putz, me entreguei de novo... não se usa mais "careta", agora  é "out"... )
Estes dias, fui em uma festa retrô, e quase tive uma síncope...
Enquanto eu me a-ca-ba-va dançando e cantando meus hits favoritos, repetia:
"A gente era feliz e não sabia..."
Se pararmos para pensar, saudosismo é sempre igual.
Foi assim com nossos avós, com nossos pais, está sendo comigo, e  provavelmente será assim com as próximas gerações...
O melhor é sempre o tempo ido...
A fórmula da melancolia  saudosista nunca muda: pega-se o passado, subtrai-se a parte ruim, adiciona-se a lembrança idealizada daquilo que, visto hoje,  parece ter sido tão perfeito (será que era mesmo?) e dividi-se com quem estiver ao redor:
"Ah! no meu tempo era bem diferente..."
Não se iluda! Mais cedo ou mais tarde, a frase acima fará parte também do seu discurso...
Mas, deixando de lado os devaneios , e focando na (in)utilidade do Blog, voltemos à "parada retrô"...
Em tempos de Justin Bieber e Restart, animes e emos, bóra refrescar a memória de quem já trintou (por agora, há algum tempinho) ou anda por ali...





BRINQUEDOS E BUGIGANGAS



Vamos combinar que só as campanhas da Estrela (principalmente as de Natal e Dia das crianças), já eram uma sacanagem com os pequenos e desesperados consumidores...
Aqua Play, Atari (evoluíndo para Odissey e Super System) - a gente chegava a ter cãimbra na mão de tanto jogar pacman e destruia  joystick para jogar decathlon!!!, Autorama,  Playmobil, Banco imobiliário, Comandos em Ação (G.I Joe), Cubo Mágico, Detetive (sempre fui muito boa nisso... Cel. Mostarda, com o candelabro, na sala de jantar...hehehe), Falcon, Susie, Fofoletes, Família Peposo, Bebezinho, Agarradinho, Genius e Merlin, Imagem e Ação, Jogo da vida, Lango Lango, Pogobol, Super Trunfo, Mola Mania,  Fluffy (meu irmão chamava de esporte de maluco, total inútil!),  Régua - bate enrola, as bolinhas do Paraguay (umas de borracha, transparentes, que tinham umas estrelinhas dentro)  quicavam muiiiito, Jogo de bafo, Menina Flor, Moranguinho (e o álbum super cheiroso), Batom e brilho em forma de moranguinho,  Brilho labial da Boticário (vinha numa latinha), Perfume Thaty(azulzinho) e Giovanna Baby, Pula pirata, War, Resta um, He- man e seu castelo, Coleção de papéis de carta, Barbie (e sua casa, carro, academia, loja, clube, escola...), Caneta de 10 cores, Penal de 4 andares e de botões (noooossa, tinha até uma lupa...), Geleca, Garrafinhas em miniatura da coca-cola (afinal, podia beber???), Coleção de borrachas perfumadas, Ioiô da coca, Patins (de sandália, de botas e  roller), Hello Kity,  Caloi Cross, BMX e Caloi Ceci, Barbie face, Lu patinadora, Cara a cara, Vitrolinha portátil de caixinha (para tocar os disquinhos coloridos da coleção Arca de Noé), e depois o Walkman (o amarelo à prova d'água, da sony era o top)...



GULOSEIMAS


Nesta época não se falava em gordura trans ou  alimentação saudável, a gente comia bife e batata frita no óleo de soja mesmo...
Algumas das gostosuras anos 80:
Bala soft (até hoje procuro casos de óbitos por engasgamento!!!!), Balas banda, Cigarrinho Pan (super politicamente incorreto), Drops Paquera, Guarda chuva de chocolate, dadinhos, Mini chicletes, Lolo ( meu preferido, disparado), Chocolate Surpresa, Balas sugus, Ice Pop, Ki suco (super natural), Chocolate Kri, Pirulito do Zorro, Pirocóptero e Pirapito, Piraquê, Balas Xaxá e Malukinha, Quick ("faz do leite uma alegria"- o de morango era tão natural quanto o Ki suco!), Picolé Frutilly, Picolé Fura Bolo, Brown Cow ("tá faltando alguém aqui"), Mirabel, Bolin bola, Ping pong, Moedinhas de chocolates e  chocolápis, Pirulito de chupeta, Pirulito Dip Link, Chiclete Azedinho doce, Balas caramelo Kids ("quando o baleiro parar..."), e depois as Tortuguitas (estúpida), e a Cherry coke (blérght)...


DESENHOS



Caverna do Dragão - Pensa numa geração inteira que ficou sem saber se aquela gurizada consegui ou não voltar para casa ... Incompetente (ou sacana???)  do Mestre dos Magos..., Snorkels (adorava), Smurfs (sem comentários!!), SuperAmigos ("enquanto isso, na sala de Justiça"), Corrida Maluca (“Muttley !!! Faça alguma coisa), Duck tales (queria uma piscina de moedas igual a do Tio Patinhas), Capitão Caverna, Muppets, Ursinhos Gummy (que diabos tinha naquele suco, não?), Ewoks, Os Jetsons, Get Along Gang, Turma da pesada, Os Simpsons, He - man, She-ra (tinha o  geninho...), Thundercats (sonho de consumo - a espada Justiceira - visão além do alcance, humm!!!), Kissyfur, Jaspion (* momento veneno - tem gente que até hoje curte um Sata Goss... ), Ursinhos carinhosos, Tartarugas ninja...


NOVELAS



Acho que esta foi a época áurea das novelas brasileiras, muitos jargões permanecem até hoje... Guerra dos Sexos (Lembra da cena antológica do café?), Amor com Amor se Paga (Destaque para Nonô Correia), Vereda Tropical (do Super Théo!), A Gata Comeu (Da Jô Penteado) , Roque Santeiro (Clássico),  Ti Ti Ti ( minha irmã tinha o batom 24 horas - Boka Loka), Selva de Pedra, Brega e Chique (Adorava), Cambalacho (Regina Casé,  impagável como Tina Pepper!!!) Mandala (Inesquecível Rosana, cantando "Como uma Deusa"),  Sassaricando ("a cobra vai fumar"), Vale Tudo (participei da promoção da Maggi - Quem matou Odete Roitman?),  Bebê a Bordo (a novela da trilha que eu falei no início do post.... a menina que fazia a Heleninha já deve estar casada...), Que Rei Sou Eu? (Queria casar com o Jean Pierre)
Ali pelos 90 teve Top Model (Além do amor entre Duda e Lucas , tinha a Família Kundera. Lembra?), Tieta (Porreta!!), Pantanal ("só viro onça quando tô cum raiva"), Rainha da sucata (era da lambada!!!!), A viagem (tinha uma Lisandra!), O Rei do Gado (os Berdinazzi X Mezenga), Pedra sobre Pedra (e as flores do Jorge Tadeu), Renascer (morte matada ou morte morrida debaixo do Jequetibá), Vamp...

FILMES



Comandaram a época, à partir deles, músicas foram lançadas, a moda era ditada...
De volta para o futuro (nooooossa), Footloose, Curtindo a vida adoidado (Save Ferris), Gonnies,  Gatinhas e gatões, Sem licença para dirigir, Gremilins (pedi um Gizmo de Natal), A caravana da coragem, (pedi um Ewok de dia das crianças), Flashdance e Dirty Dancing (coreografias de cor), O enigma da Pirâmide (foi aí que decidi - queria ser detetive...), Loucademia de Polícia e Corra que a polícia vem aí (põe besteirol nisso), Labirinto (com David Bowe), Top Gun (Tom Cruise no auge), Indiana Jones (queria casar com o Indy!!), Karatê Kid (imagina aprender com Seu Miagui o "limpa assoalho"?!), Grease (assisti 156.987 vezes), Garota de Rosa shocking, Namorada de Aluguel (Dr. Mc Dreamy era gurizão), Lagoa Azul (passava toda semana na sessão da tarde), Caça fantasmas (caso eu não fosse detetive, seria caça fantasmas), História sem Fim, Rock, Star Wars (clássico), Os trapalhões (e isto, e aquilo, sempre lançados nas férias, com direito à filas descomunais), Um dia a casa cai, (Tom Hanks rules), Quero ser Grande (Tom Hanks rules[2]), Poltergiest ("venha para luz",  eu era suuuper corajosa, assistia ... e depois não dormia!!!), E.T (Ahhh!! Quem pudésse voar em uma bicicleta...), Super homem.
Já nos anos 90:
Uma Linda Mulher (decidi que queria casar com Richard Gere, o Indy iria entender...), Titanic (chooorei), Cidade dos Anjos (choooreeei), Ghost – Do Outro Lado da Vida (chooooorei de novo),  A Espera de um Milagre (quase desidratei), Filadélfia (desidratei), Coração Valente (chorei copiosamente), Lendas da Paixão (puuuutz),  Armageddon (Senhooooor, será que eu só chorei nos anos 90???), O Sexto Sentido ("I see dead people"),  O Casamento do Meu Melhor Amigo (amei), Amor Além da Vida,  Matrix ("Welcome to the real world, Neo"), Forrest Gump (God bless Tom Hanks), A Lista de Schindler (pesado), Advogado Do Diabo
( "vaidade, meu pecado favorito"), O Resgate do Soldado Ryan (ainda havia lágrimas???),  O Silêncio dos Inocentes (m.e.d.o), Querida encolhi as crianças e Esqueceram de mim (até que enfim algo para rir...)

 SERIADOS e PROGRAMAS 






Muito bons (ou não), a gente achava a maior graça...
Bozo ("Dá uma bitoca no meu nariz", essa eu uso até hoje ...), Viva o Gordo, Balão Mágico (certo medo do fofão), Xuxa (R: Saturnino de Brito, 74, Jd Botânico - Rio de Janeiro CEP 22470... todas meninas queriam ser paquitas...), Mara Maravilha (era a Xuxa popular), Angélica (era a Xuxa "classe média"), MacGyver - Profissão Perigo, Super Vicky, TV Pirata, A gata e o rato, Alf - o E.Teimoso, Três é demais (estréia das gêmeas Olsen), Armação Ilimitada (Juba, Lula, Zelda e Bacana) , Domingo no parque (que nervoso quando o tio Silvio perguntava - Você quer trocar este Atari por um milhão (leia-se, um milho gigante)??? e a criança na cabine respondia: Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim!!!! hahahaha), Miami Vice, Primo Cruzado, Águia de fogo, Super máquina, Barrados no Baile e seus topetes, e o início da era Friends!


 HITS  
(os melhores, yeah, yeah)





Aqui virou sacanagem, porque talvez seja meu maior saudosismo, que época, que bandas, que hits ... e de certeza aqui vão só algumas, e ficarei devendo várias trilhas sonoras que bombaram nas fitas K7 e LP's...
A-ha, AC/DC, Men at Work, Midnight Oil, The Rolling Stones,  The Clash, The Police , Pet Shop Boys, Queen,  David Bowie , Billy Idol, Depeche mode , Erasure,  U2, The Cure,Mr. Big, George Michael, Fine Young Canibals, Wham!, Simply Red (choreeei), Duran Duran, Tears for Fears, The Pretenders, R.E.M, Madonna, Michael Jackson ( ícone dos anos 80), B 52′s, Van Halen, Aerosmith, Oingo Boingo, Beach Boys – Kokomo, Berlin, Foreigner, Devo, Prince, Kool & The Gang – Celebration, Tina Turner ( ponto alto: ela chamando o Senna no palco, durante a música Simply the best- Austrália/1993) Bon Jovi, Cyndi Lauper, Talking Heads, Rush, Kiss, INXS, Nirvana, Red Hot Chili Peppers, Oasis, Green Day, Pearl Jam...
Não posso esquecer dos Menudos (desculpa galera), Dominó,  Ciclone...
E os nossos  "Jurássicos Brasileiros" perfeitos, que tocavam no Globo de Ouro!!! Titãs, Legião Urbana, Engenheiros do Hawai, Nenhum de Nós, Camisa de Vênus,  Barão Vermelho, Ultraje a rigor, Ira, RPM, Paralamas do Sucesso, Blitz, Skank, O Rappa, Jota Quest, Cidade Negra, Casia Eller...

MODA 

Aqui, definitivamente, deu de tudo:  tênis bamba, conga, kichute, mocassim dockside, montreal, Pony, kit shoes, all star, as melissinhas (que vinham com pochetinha, reloginho, maquiagem...), calça baggy e semi baggy de cintura altíssima (pool, dijon e starup), as jaquetas jeans, moda Madonna, moda aeróbica e a faixa na cabeça, moda fosforecente, saia balonê, mullets, franjas (arrepiadas, desfiadas, repicadas (sempre com muito Neutrox!), com topetes que eram verdadeiras paredes), polainas, ombreiras, moda surf: pochete, Lightning Bolt, Fico,Town & Country, Hang Loose, O.A, Billabong, Rip Curl...  tênis da Redley, mochila da company, 775, camiseta do Mickey Mouse, carteira emborrachada da O.P,  Topper, Le Cheval,  os brinquinhos auto colantes, que vinha numa cartelinha, relógios champion e G- shock, gel new wave...
(Descobri que tudo isto agora é Vintage!)
Nos anos 90:
Reebok de botinha, moletons do Planet Hollywood e do Hard Rock café, blusa segunda pele, calças coloridas (seria o prenúncio do Restart???), a moda rockabilly e grunge- cuturnos, crucifixo gigante no pescoço, camisetas da Anonimato, camisa xadrez, saias xadrez, meião...
Aff, acho que não tenho tanta saudades disso não...


Well...


Quem viveu tudo, ou parte disso, sabe do que estou falando, para quem não sabe ou não lembra, o Santo Google (oráculo!!!)  está aí, vale uma olhadinha, é divertidíssimo...

Agora, voltando aos devaneios...
Partindo do princípio que saudosismo é sempre igual, que o bom é o tempo ido, e constatando que algumas febres dos anos 80 e 90 foram de gostos bem duvidosos (para não dizer bizarras...)
A pergunta que não quer calar...
O que dirá a geração de hoje, daqui a 15 anos???
Ai, que saudades do Fiuk!!! (????) ¬¬
" Que tempo bom, que não volta nunca mais..."

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A elegância do ouriço.


♫ We'll do it all
Everything
On our own...



"Algumas coincidências não podem ser apenas coincidências."

  
Sexta-feira de gala na ilha...  
Dia lindo de doer, céu de Brigadeiro e mar de Almirante, ando inspirada e (ainda mais) reflexiva...
É... há momentos em que a gente pisa na bola, e percebe que não pode culpar mais ninguém por isso... no fim das contas, somos nós contra nós mesmos...
Como se, numa mudança de foco e perspectiva, descobríssemos não sermos os algozes, e sim  os responsáveis por certos desfechos recorrentes da própria história...
Chegou a hora, fechou o cerco, e a vida vem convidando a mudar de padrões, abandonar certos vícios,  largar a carapaça  (que na verdade não nos protege de nada), baixar a guarda e ir além do que se aparenta... Há o joio, mas também o trigo... Há que se deixar os dados  rolarem, há que se apostar...
Por "n²" razões, tenho lembrado (e muito) do meu livro favorito...

A elegância do ouriço
(Muriel Barbery)

O livro é focado em duas personagens, que relatam suas vidas ligadas pelo local onde moram -  um prédio requintado em Paris - e pelas similaridades subjetivas na maneira de ver o mundo. Não poderiam ser mais antagônicas e ainda assim complementares.
Renée é a concierge do prédio. Aparentemente ranzinza, mas que esconde por trás desta couraça que ela criou para sua própria defesa, uma pessoa inteligente, sensível e com uma percepção muito aguçada sobre todas as coisas. Um tipo de filósofa que adora a literatura.
Paloma é moradora do prédio, tem 12 anos, é  superdotada, mas faz questão de esconder sua capacidade real; Por ter uma visão trágica da condição humana, ela não se enquadra  nas  dinâmicas que a cercam: familiar, escolar, social, e posiciona-se como expectadora, questionadora e crítica disto.
Reneé e Paloma, cada qual a seu modo, mantêm-se na defensiva diante de um mundo hipócrita. As duas personagens narram a história sob seus respectivos pontos de vista. Em um primeiro momento, elas o fazem separadamente. Contudo, algo acontece e seus destinos são cruzados, graças a um novo morador, que as enxerga como verdadeiramente são.

Acho que nunca havia me identificado (e me apaixonado) por um livro de forma tão arrebatadora.
Comecei a transcrever os trechos que mais gostava... desisti... Seria preciso passar o livro inteiro para o papel.
Por diversas vezes li frases que poderiam ter sido escritas por mim, de tão verdadeiras que me pareciam.
Chorei, e muito,  em vários momentos.
É unânime, todos que terminaram a leitura, tiveram vontade de relê-lo.
Fica a dica ; )
Deixo aqui alguns (dos vários) trechos que posso citar, na tentativa de provar (mais do que nunca) esta  identificação...
Um tanto Paloma... um tanto René...

"…Ela  tem a elegância do ouriço: por fora, é crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes."
" ... meu Everest é uma exigência intelectual. Fixei-me com objetivo de ter o máximo de pensamentos profundos e anotá-los neste caderno: se nada tem sentido, pelo menos que a mente se confronte com esta situação, não é mesmo?"
" Tenho que dar duro, para parecer mais idiota do que sou..."
"(...)  é a primeira vez que encontro alguém que procura as pessoas e que vê além. (...) Nunca vemos além de nossas certezas e, mais grave ainda, renunciamos ao encontro, apenas encontramos a nós mesmos sem nos reconhecer nesses espelhos permanentes. (...) se tomássemos consciência do fato de que sempre olhamos apenas para nós mesmos no outro, que estamos sozinhos no deserto, enlouqueceríamos. (...) Do meu lado suplico meu destino que me conceda a chance de ver além de mim mesma e encontrar alguém."
" ... olhos que trespassam, ouvido absoluto para contradições, hipersensibilidade ao que é dissonante..."
“Sempre fico fascinada pela abnegação com que nós, humanos, somos capazes de dedicar uma grande energia à busca do nada e à mistura de pensamentos inúteis e absurdos”
"Bah, sei lá. (...). Há pessoas valorosas, regozije-se!, tive vontade de dizer para mim mesma..."
" ... e de repente, o haka, que é um canto guerreiro, assumia toda sua força. O que faz a força do soldado não e a energia que ele concentra ao intimidar o outro, enviando-lhe um monte de sinais, mas é a força que ele é capaz de concentrar em si mesmo, ficando centrado em si mesmo..."
"A música tem imenso papel na minha vida. [...] Se ouço música de manhã, não é muito original: é porque isso dá o tom do dia..."
" ... Pois a arte é vida, mas em  outro rítmo."
"É preciso que alguma coisa acabe, é preciso que alguma coisa comece..."
"  ... O que é preciso viver antes de morrer é uma chuva torrencial que se transforma em luz. (...) Claro, todo mundo desconfia que, além de todo resto, isto é, de um abalo telúrico transtornando de cabo a rabo uma vida subitamente descongelada, alguma coisa trota na minha cabecinha (...) E essa alguma coisa se pronuncia: " e até mesmo tudo que desejarmos". "
" ... Mas sei que paramos os dois e respiramos fundo, deixando o sol aquecer nossos rostos e escutando a música que vinha do alto. (...) E ainda ficamos ali uns minutos, a escutar a música. Eu estava de acordo com ele. Mas por quê? Refletindo sobre isso, esta noite, com o coração e o estômago em migalhas, pensei que, afinal, talvez seja isso a vida: muito desespero, mas também alguns momentos de beleza em que o tempo não é mais o mesmo. E como se as notas de música fizessem uma espécie de parênteses no tempo, de suspensão, um alhures aqui mesmo, um sempre no nunca.
Sim, é isso, um sempre no nunca.  (...)
Pois, por você, de agora em diante perseguirei os sempre no nunca.
A beleza neste mundo."


 

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Incondicional...


“Serei Avaiana
Mesmo que a bola nao entre, 
Mesmo que a Ressacada se cale, 
Mesmo que o manto sagrado desbote, 
Mesmo que a vitória esteja longe. 
Serei Avaiana,   
Seja longe a jornada,
Seja dura a caminhada. 
AVAÍ no peito e na alma. 
Serei Avaiana até morrer!”

Nota:  
Muito embora eu seja Avaiana, o texto abaixo discorre sobre o amor que une o torcedor à seu respectivo time, seja ele qual for ... 
Portanto, Atleticanos, São Paulinos (Eee!!), Corinthianos, Flamenguistas, Santistas, Vascaínos, Gremistas, Cruzeirenses, Botafoguenses... tá, tá... e até a turma do continente... Sejam bem-vindos!



... E bola pro mato, que o jogo é de campeonato...

Ótimo..
"Meu" Avai (ei!! futebol, religião e política não se discute, lembra?) perdeu, de novo ...
Segue o roteiro da novela:
Mau humor!!! A gente xinga, se revolta, faz comentários nada polidos acerca daqueles 11  pernas de pau, da estratégia e tática de jogo, do técnico turrão, diz que jogar na retranca dá nisso ("Quem não faz, leva"), que jogar no 3-4-3 é coisa de kamikaze, que um time desses tem mais é que cair, malha o F.D.P do juiz ladrão, amaldiçoa as próximas 5 gerações do p*&% do bandeirinha vendido, desmoraliza o presidente do clube, a CBF e seus cartolas, questiona os astros,  põe a culpa na urucubaca, no vento, no cosmos,  esbraveja que garfaram a gente, jura que nunca mais vai perder tempo assistindo esta pelada de várzea, que vai queimar a bandeira, rasgar a carteirinha, deixar de ser católico e que vai começar a assistir partida de gamão que é bem mais emocionante...
Acorda no dia seguinte, numa prevenção digna de fuzilaria de exército, só esperando por qualquer gracinha de algum torcedor arqui- inimigo, para lançar fogo, xingar mais um pouco e perguntar se a mãe do distinto vai bem...
Passa tempo, a gente vai acalmando, amenizando, diz que o time até que jogou bem, teve ótimas chances, só faltou sorte, que realmente o vento sul atrapalhou,  o técnico tem lá seus méritos, que o problema foi o tal desfalque que desarticulou o time, que não se pode menosprezar a campanha que o time adversário vem fazendo, que não dá para ganhar sempre (mas o juíz continua sendo aquilo mesmo!!!!)
E aí diz que o gamão pode esperar, de repente até o próximo campeonato, afinal, a torcida tem que apoiar...
E ai daquele que falar mal do nosso  time...
Sempre escuto que amor incondicional é amor de pai e mãe...  e aqui acrescento,  e amor de torcedor.
Quem explica este sentimento? Aliás, quem entende este sentimento? 
Só quem tem um time do coração...
No universo do torcedor de carteirinha, como para qualquer apaixonado, se aplica Camões:
"É querer estar preso por vontade, É servir a quem vence o vencedor, É ter com quem nos mata lealdade...), 
E a carta de São Paulo aos Coríntios: 
"(...) Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (...) Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado."
Exagero???
Pois bem; Não se pensarmos que não há nada, além do prazer, que nos obrigue a desmarcar outro compromisso e utilizar a famosa frase  "Não posso, hoje tem jogo", que deveríamos, é receber insalubridade pelas quase síncopes, ataques de pânico, risco iminente de um infarto agudo do miocárdio durante os 90 fatídicos minutos de um jogo (risco este, que duplica durante os acréscimos, e se a decisão for para os pênaltis... traz o desfibrilador!!! Se considerarmos que deveríamos também receber periculosidade, por conta do perigo que representa ir ao estádio certas vezes...
Considerando que, de forma alguma, abrimos tantas conceções para alguém, e suportamos tantas mancadas, tantas desilusões, que, mesmo sendo maltratados por esta leviana paixão, desiludidos e arrasados, basta uma vitoriazinha mequetrefe para que voltemos a acreditar neste amor ... considerando que, vivemos sim, profetizando a tal "caixinha de surpresa" ... Camões, Coríntios... é pouco...
Mesmo que um homem seja conhecido por seus sérios problemas quanto ao quesito fidelidade (ai, que eufêmica...), este sentimento ele não trairá jamais, nem em pensamento, nem de brincadeira...
Ele nunca flertará com qualquer outro time, se não aquele a que prometeu ser fiel, amar e respeitar, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da vida... e muito provavelmente já tenha feito "O" pedido... quer ser enterrado com o manto sagrado...
A gente enrola, posterga a visita ao parente que mora na cidade vizinha, mas viaja a distância que for para ver o time jogar; Diz que não tem mais saco para aglomerados, mas se enfia na muvuca do estádio; Reclama do trânsito caótico, mas nem se incomoda no engarrafamento de dia de jogo.
Que futebol corre nas veias do brasileiro,  todo mundo sabe, não é de hoje, mas acho que a paixão maior não é a seleção, esta é esporádica, paixão mesmo é pelo time do coração, (seja ele da série A, B, C... "Eu nunca vou te abandonar!!") que acaba funcionando como uma extensão da vida pessoal do torcedor, como se, no campo, velhas questões pudéssem ser resolvidas, zeradas, antigos desafetos transferidos (e vingados).
Quem nunca torceu desesperadamente, vendo seu time jogando contra time de ex, de chefe, daquele pilantra, daquela sacana, daquele mala fanático??? (lógico, torcedor chato é sempre do time adversário)
O time ganhou???
Bora tirar sarro dos outros, cobrar a aposta, soltar foguete...
O time perdeu???
Corre para desligar o celular, olhar a tabela, fazer cálculos, conjecturas... e novena!!!
 Só quem vai ao estádio sabe o que significa uma vitória nesta situação (ou em qualquer outra...)
- A vida está uma droga, mas meu time... Ah, meu time!!!

Como definir o sentimento ao ver aquele batalhão nas cores do time, lotando o estádio? ( jogo em casa... ô maravilha!!!)
Como mensurar a tensão na rivalidade de um clássico?  "Clássico é clássico e vice-versa".
(Lembrete: Não espere de um torcedor apaixonado atitudes politicamente corretas - quando o  time "pedra na chuteira" jogar, mesmo que com outro adversário, ele vai secar mesmo!!!!)
Quem precisa de terapia, quando se tem a oportunidade da catarse da torcida? (berrando, xingando, e gesticulando coisas que deixariam qualquer mãe em dúvida quanto à real origem da educação dos seus)
Vibrar com entrada do time em campo, ficar afônico e arrepiar-se cantando o hino e os gritos de guerra, a hora do bandeirão, da ola... e a explosão da hora do GOOOOOOL!!!!!!! (Super manjado mas... "Não tem preço")
Torcedor doente, dá jeito de fazer as coisas mais inusitadas, (e tolas também):
Leva a bandeira do clube para o Egito, e bate foto enrolado nela, na frente da tumba do Tutankamon;
Corre risco de ser preso porque cisma em amarrar a flâmula no topo da Torre Eiffel;
Tatua o emblema do time no braço;
Homenageia o artilheiro batizando o primogênito de Cleidisnelson (tadinho) se for dele o gol do campeonato;
Sobe no palco no dia da formatura, do casamento para cantar o hino do time;
Arruma encrenca com o vizinho, com a família da(o) namorada(o), com amigo de infância... Tudo, sempre, movido por esta paixão.
Só um torcedor doente é capaz de entender outro...

Mas... e quanto a mim  e "Meu" Avai?????
Pensando bem ...
Ele até que jogou bem, teve ótimas chances, só faltou sorte, realmente o vento atrapalhou, o técnico tem lá seus méritos, não se pode menosprezar a campanha que o time adversário vem fazendo, e também não dá para ganhar sempre, né?! ...
Mas o juíz... 
Ahhh!!!Este continua sendo aquilo mesmo!!!!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A alma dos Diferentes



 
... Para quem sabe (e sente) : 
Há que ser forte para ser diferente dos iguais ...



 A alma dos diferentes

"Diferente não é quem pretenda ser. Esse é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente.
Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errados para os outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não agüentar, caso um dia venham, a ser. O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição.

O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias, adiadas; esperanças, mortas. Um diferente medroso, este sim, acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou.

Os diferentes muito inteligentes percebem porque os outros não os entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro. Diferente que se preza entende o porque de quem o agride. Se o diferente se mediocrizar, mergulhará no complexo de inferioridade.

O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem querer - alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual, a inveja do comum, o ódio do mediano. 
O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão, mas que está sempre certo.

O diferente começa a sofrer cedo, já no primário, onde os demais de mãos dadas, e até mesmo alguns adultos por omissão, se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial em aleijão e caricatura. O que é percepção aguçada em :"Puxa, fulano, como você é complicado".
O que é o embrião de um estilo próprio em: "Você não está vendo como todo mundo faz?"

O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações os quais acaba incorporando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram (e se transformam) nos seus grandes modificadores.

Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber. Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham. É o que engorda mais um pouco; chora onde outros xingam; estuda onde outros burram. Quer onde outros cansam. Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria onde o hábito rotiniza. Sofre onde os outros ganham.

Diferente é o que fica doendo onde a alegria impera. Aceita empregos que ninguém supõe. Perde horas em coisas que só ele sabe importantes. Engorda onde não deve. Diz sempre na hora de calar. Cala nas horas erradas. Não desiste de lutar pela harmonia. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o adversário fazer o gol, porque gosta mais de jogar do que de ganhar. Ele aprendeu a superar riso, deboche, escárnio, e  tem a consciência dolorosa de que a média é má porque é igual.

Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, engordados, magros demais, inteligentes em excesso, bons demais para aquele cargo, bons demais para aquela pessoa, excepcionais, narigudos, barrigudos, joelhudos, de pé grande, de roupas erradas, cheios de mumunha, de malícia . Aí estão, doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais.

A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os pouco capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes.

Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois."

                                                                                                                 (Artur da Távola)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Let's Rock!!!



Shake Baby!!!


Após uma era meio reclusa, devo dizer que minha vida noturna anda um agito só... embora eu não seja o que se possa definir como pro night, (seletiva?) algumas situações se enfileiraram, e tive uma maratona going out, de onde, depois certas observações tirei algumas conclusões...
Sou (ou, ao menos me considerava) uma pessoa bem eclética no que diz respeito ao meu gosto musical, e tenho uma facilidade imensa em me divertir em qualquer biboca,  de me acabar dançando em (quase) todas ocasiões... mas gente... tem limite!!!
Eu sei, eu sei... "gosto é gosto, não se discute",  "o que seria do amarelo se todos gostassem do azul?"  blá, blá, blá ... mas...  Ai, sabe?!!!
De antemão, vou deixando claro que em TODAS estas minhas incursões a companhia foi maravilhosa ; )  "Diversão garantida ou seu $ de volta" (o que faz de qualquer programa de índio algo memorável...)
Só isso já valeu a pena, mas sou obrigada a tecer meus comentários sobre o que anda rolando por aí:

- BALADA SERTANEJA (B.S):
Não é de hoje que defendo minha teoria, quanto a falta que faz um manual da Balada Sertaneja, que aliás, agora é Sertanejo Universitário. (ótimo, sempre que escuto isso, imagino aquelas duplas, de calça esguelando, cinto de fivelão, mas agora com um diploma na mão...)
Fico realmente perdida... 
O que, teoricamente, se faz nesta balada, eu sei: Se canta (hum... preciso aprender então) e se dança... 
Se dança???? Como????
A lembrança que tenho dos arrasta pés do interior é de pessoas dançando em pares, rodopiando pela pista, mas isso é humanamente impossível nas atuais "B.S"... Por ser modinha, são os ambientes mais insuportavelmente lotados que existem... mal dá para se mexer sozinho, vai dançar como???
Impraticável...
Daí fica aquela coisa estranha, mulheres fazendo dancinhas coreografadas de um lado, enquanto os marrentos de camiseta justa (sim, eles estão lá... é modinha, lembra??) ficam cantando de outro... 
- De qualquer forma, não deixa de ser divertido ...  dá para rir horrores!!!

- ELETRÔNICO:
De-fi-ni-ti-va-men-te, não me enxergo nessas raves, pvts, de pirulito na boca, garrafinha de água na mão, com os bracinhos prá cima (estilo malabares) daquele jeito meio autista performático, olhos fechados, curtindo o que se chama de  um eletro/psy/trance/progressive/house/techno (leia-se, paramimtudoamesmacoisa) "naquela vibe", que literalmente vibra repetida e azucrianadamente até praticamente desintegrar qualquer sistema vestibular existente no ser humano. 
Tudo isso baseado na filosofia "acid house", fritando (ou não) e dizendo que é peace... (como assim????) perdi algo pelo caminho, de certeza...
Velha história, cada qual, cada um... mas adoro música com letra, um refrãozinho, e neste estilo (?) musical  quando isso acontece, e a gente se enche de esperança, é só mais um  maldito remix, que engana os desesperados desavisados com 3 palavrinhas de alguma música famosa,  seguidos por mais meia hora de  puntz puntz puntzpu-pu-putz putz putz,  wéun wéun WÉÉÉÉÉÉUN. Tuntz tuntz tuntz, tun tun tun tuntz tuntz, tun tun tun tuntz tuntz, tuntz tuntz.. Ts ts ts tstuntz tuntz, ts ts, tuntz, tuntz. Tum tum tum pac pac pac pac pac pac pac pac pac tum tum tuntz, tuntz.... só restando à massa os gritinhos de uhuuuul, quando o DJ baixa o som...
- Opa! Valeu o convite amigão, mas passo... fica prá próxima ... mesmo!!!

- FUNK:
Rá! O funk!!!Esse é complicado...
Por que, por mais que você nem vá pra night funkeira, nem seja da "comunidade", o funk dá um jeito de vir até você...
Qualquer casamento, formatura, aniversário, chopada, feijoada do fulano, peixada do beltrano... é batata!!! Sempre chega a bendita hora do funk...
Em geral começam com os "funks do bem", MC sapão (bonitinhos até, vai?!), evoluíndo até chegar naqueles mais  infames e bagaceiros ...
Aí já sou taxativa, nem sob tortura, ameaça à mim ou aos meus entes queridos, nem em pré coma alcólico - não interessa a situação -  se alguém me flagrar dançando "Créu", (independente da velocidade, ok?) pode me interditar, na mesma hora. 
É violação do meu código de conduta ética pessoal moral aceitável... 
Interdita mesmo!!!!! Porque  mesmo sobrevivendo, não sei se conseguiria conviver com a ressaca moral, ou com alguma foto (sempre tem um F.D.P com a máquina na mão!!!)  registrando a pessoa "daquele jeito" ou  "até o chão"... Aff!!!
- Out!!!

- REGGAE:
Aos que me conhecem, este tópico se faz desnecessário... mas como aqui se trata de uma mídia pública...
Deixando de lado meus pré conceitos (e conceitos) e  não levando para o lado pessoal, minhas lembranças dos bares "astral"  da minha adolescência, tipo Boulevard da Lagoa, ao som do "Daza" e seu Salão de festa a vapor... ou das minhas antigas baladas  "à beira mar"  estilo nights do Rosa, Barulho do Mar na Mole, sempre são, no mínimo, surreais... (festa estranha com gente esquisita, diria Renato Russo) a quem chame também de Roots esta "total positividade"...  já fui "total morra" o téin téin téin do Reggae e "incensos" (eufemismo para esquadrilha da fumaça) ...  Continua não sendo muito a minha praia, mas já sou bem mais amena, e  tem alguns reggaes e barzinhos do estilo que curto ... (seria isso a maturidade??)

- SOUL MUSIC:
Ótima pedida, afinal, adoro um groove.
Neste caso, em especial, a culpa não é do estilo não, nem da banda, que mandou muito bem ... 
Só que a coisa ficou tensa quando o vocalista tipo lisérgico anos 70 (todo trabalhado na cabelera "estileira black power") anunciou que a banda manda um "Som eletrônico feito por Humanos"  (pensa em 6 pessoas tentando achar o sentido da frase...)


Tudo bem, tudo bem,  mil desculpas se você é apreciador de alguma das pérolas acima, você pode também questionar e criticar meus gostos, e muito gentilmente (ou não!!!) me dizer que samba é um lixo, blues é depressivo, MPB é para os fracos, samba rock é isso e pop rock é aquilo, pode também defender suas opções, não vou concordar, mas vou aceitar.. (*momento veneno*) e lamentar... (my bad!)
Mas nunca, em hipótese alguma, alguém vai poder falar do universal, bom e velho "Rock and Roll"  e todas (ou alguma das) suas vertentes, (garage, folk, psicodélico,progressivo, glam, hard rock, heavy metal, punk rock, pós punk, new wave, alternativo...)
Fala a verdade, ao menos uma destas opções,  já fez você levantar da cadeira, dar uma ajeitada no visual e pensar: 
- Let's shake!!!!
(Não nega, que eu sei!!) 
É incrível como, para curtir o som destes Jurássicos, (sejam eles ingleses, americanos, australianos, irlandeses (!!!) ou  brasileiros)  não existe  limite de idade, independe de modismos, pelo contrário, atravessam décadas, mantendo seus seguidores e conquistando novas gerações, por todos os cantos do mundo...
É muito bom viajar nas letras, entendê-las, traduzí-las, senti-las, tanto quanto as batidas, os solos...
(Então, voltando à minha peregrinação:)

Mas Ahhhh!! que nem só de roubada é feita a vida, e depois desta jornada, como o bom filho à casa torna, pude entrar no meu pub favorito, e  fechar minha maratona, escutando aqueles clássicos 60's, 70's, 80's, 90's ... 
- God bless rock n roll!!!
Delícia a sensação de estar em casa... Levantei da cadeira, dei uma ajeitada no visual... hehe

agora era só curtir...
E sabe o que o Rock fez comigo?
... shook me all night long ...

Yeah...







Ah! Eu já sabia!!!!


- ... Sim, eu já sabia...
- Sabia?? Mas... como???
- Não sei... Só sei que eu sabia...

Já se pegou em meio a este diálogo?
Sexto-sentido, feeling, insight, percepção... Intuição (fenômeno que os dicionários classificam de capacidade de perceber ou discernir coisas, de modo imediato, sem depender do raciocínio.)
Não importa o nome que você utilize...
Nunca subestime esta sensação!!
Muitas vezes ao tomarmos uma decisão, ou quando conhecemos alguém, desprezamos, não confiamos na primeira impressão ou sensação que sentimos. Depois, na maioria das vezes, percebemos que estávamos certos na impressão inicial.
Lembro aqui, sou uma escorpiana com ascendente em gêmeos, o que faz da minha pessoa uma ilha de intuição, cercada de percepção por todos os lados e habitada por nativos imaginativos especuladores... Fator este, que as pessoas que me conhecem rebatem prontamente. Dizem que é mais do que isso... Sou paranóica mesmo... hehe
Brincadeiras à parte, não lembro de ter tido um sexto sentido que não fosse convertido em fato, ou que não tivesse ao menos, um fundo de veracidade.
O.k, deixemos então de lado a questão de eu não ser parâmetro...  
O radar  funciona, não se pode negar, por mais que às vezes o desliguemos, e resolvamos seguir o palpável, que, na luta com o subconsciente, manda seguir o jogo, para que possamos viver, pagar para ver...  "Quem não cai, não vive..."
Nestes casos a intuição não se manifesta de imediato (ou até se manifesta, simplesmente optamos por não confirmá-la), mas,  inevitavelmente vem a subseqüente percepção aguçada, mantendo-nos agitados, angustiados, voltando à latência do inexplicável, até que se confirme o pressuposto...
Vejo muita gente lutando contra a intuição, inclusive, em ocasiões em que algumas verdades estão bem explícitas (aí, costumo brincar, já nem é mais intuição... é quase pura constatação!!! Senhooooor!!!!  "Abre o olho que tu não és japonês!!!!")
O meu maior desafio sempre foi (tentar) achar o equilíbrio entre a razão e a intuição, entre o impulso da percepção e a ponderação dos fatos (extra atenção... olho vivo e faro fino!!!).
Dons detetivescos à parte, já que depois de instalada a pulga, a gente não descansa até encontrar o cachorro inteiro, (hãn, hãn? Pegou?)  quem nunca teve a sensação de que deveria mudar de escolha no último instante antes de tomar uma decisão? Quem nunca foi questionado sobre o porque destes insights, e de se não seria mais fácil relaxar, e fechar os olhos para certas intuições? (Quem não cai, não vive???!!!)
Para algumas pessoas, isso não passa de um simples impulso. E não fazem caso dele. Para outras, no entanto, é algo mais forte, que não se consegue definir com palavras no momento em que surge. 
Muitos consideram  o sexto sentido como o sentido do espírito, da alma. Ele que intui, sente, e ela se utiliza do corpo físico para se expressar.
Para desenvolver a intuição, é preciso confiar no feeling, ter fé, acreditar nas primeiras impressões e prestar atenção nas reações corporais ao fazer uma escolha.
No latim, intuitione significa “imagem refletida por um espelho”. 

A novidade é que agora, (tá, nem tão agora) pesquisas têm mostrado que, mais do que misticismo, a expressão faz todo sentido.  
Outro dia, assisti um documentário sobre intuição, e  algumas frases de um psicólogo e pesquisador inglês* me chamaram atenção:
“Ela (intuição) funciona como resultado de um processo mental realizado abaixo do nível da consciência”.
(como se fosse um reflexo da mente que se manifesta como percepção repentina.)
"A ciência está começando a esclarecer os complexos processos mentais e corporais que estão por trás da intuição”
*Eugene Sadler-Smith, Autor do livro "Inside intuition" (Por dentro da intuição, em tradução livre). Na obra, o especialista inglês enumera trabalhos da psicologia social, da psicologia cognitiva (que estuda o modo como as pessoas aprendem, recordam e percebem) e da neurociência.
Apesar das novidades, ainda há muito a descobrir sobre o poder do sexto sentido. 
Na ótica da psicanálise, a intuição vem como um insight, sem que se conheça como se processa isso no cérebro. 
Segundo Carl Gustav Jung, uma das maiores referências nesse campo, a intuição é uma das quatro funções psicológicas do homem (as demais são sensação, sentimento e pensamento). 
Para os seguidores de Jung, intuir é algo natural das pessoas, e ocorre a partir de dados subliminares, (sensacional!!!)  é como se percebêssemos sutilezas que nos levassem a esta intuição, como se conhecêssemos  algo sem ter consciência disso.
Em Hamlet,  Shakespeare escreveu o que são minhas frases favoritas, sendo bem aplicáveis ao uso da Intuição:
" Há algo de podre no reino da Dinamarca."  
(adoro esta, e sempre solto,  quando sinto cheiro de tramóia no ar...)

" Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que supõe a nossa vã filosofia"
(para aqueles momentos em que me perguntam: - Tá, mas da onde, diabos, tiraste isso???)

Einsten (tiozinho mandando bem... de novo!!!)  também era intuitivo, e declarou:
" Não existe caminho lógico para a descoberta das leis do Universo . O único caminho é a intuição"  ...
Se ele falou, tá falado!!! 
Embora este seja um assunto cravado de relatividades, fica aqui minha dica. (o Blog é meu, dou a dica que eu quiser) e óbvio, segue quem quiser também...
Se a fé suporta, os pensadores ratificam, a ciência explica, e gênios fizeram o bom uso dela, e já que estamos sempre tão vulneráveis às vozes alheias, porque não prestarmos atenção nesta que é interior? 
Sem radicalismo, sem a tomarmos como verdicto final, mas sempre como um dos pontos a serem considerados nas nossas diversas tomadas de decisões.
Digo isto porque, uma vez rejeitada, é bem provável que a tenhamos que escutar, mais tarde, dizendo:
- Ah! Eu já sabia!!!!

; ) Peace!