segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Incondicional...


“Serei Avaiana
Mesmo que a bola nao entre, 
Mesmo que a Ressacada se cale, 
Mesmo que o manto sagrado desbote, 
Mesmo que a vitória esteja longe. 
Serei Avaiana,   
Seja longe a jornada,
Seja dura a caminhada. 
AVAÍ no peito e na alma. 
Serei Avaiana até morrer!”

Nota:  
Muito embora eu seja Avaiana, o texto abaixo discorre sobre o amor que une o torcedor à seu respectivo time, seja ele qual for ... 
Portanto, Atleticanos, São Paulinos (Eee!!), Corinthianos, Flamenguistas, Santistas, Vascaínos, Gremistas, Cruzeirenses, Botafoguenses... tá, tá... e até a turma do continente... Sejam bem-vindos!



... E bola pro mato, que o jogo é de campeonato...

Ótimo..
"Meu" Avai (ei!! futebol, religião e política não se discute, lembra?) perdeu, de novo ...
Segue o roteiro da novela:
Mau humor!!! A gente xinga, se revolta, faz comentários nada polidos acerca daqueles 11  pernas de pau, da estratégia e tática de jogo, do técnico turrão, diz que jogar na retranca dá nisso ("Quem não faz, leva"), que jogar no 3-4-3 é coisa de kamikaze, que um time desses tem mais é que cair, malha o F.D.P do juiz ladrão, amaldiçoa as próximas 5 gerações do p*&% do bandeirinha vendido, desmoraliza o presidente do clube, a CBF e seus cartolas, questiona os astros,  põe a culpa na urucubaca, no vento, no cosmos,  esbraveja que garfaram a gente, jura que nunca mais vai perder tempo assistindo esta pelada de várzea, que vai queimar a bandeira, rasgar a carteirinha, deixar de ser católico e que vai começar a assistir partida de gamão que é bem mais emocionante...
Acorda no dia seguinte, numa prevenção digna de fuzilaria de exército, só esperando por qualquer gracinha de algum torcedor arqui- inimigo, para lançar fogo, xingar mais um pouco e perguntar se a mãe do distinto vai bem...
Passa tempo, a gente vai acalmando, amenizando, diz que o time até que jogou bem, teve ótimas chances, só faltou sorte, que realmente o vento sul atrapalhou,  o técnico tem lá seus méritos, que o problema foi o tal desfalque que desarticulou o time, que não se pode menosprezar a campanha que o time adversário vem fazendo, que não dá para ganhar sempre (mas o juíz continua sendo aquilo mesmo!!!!)
E aí diz que o gamão pode esperar, de repente até o próximo campeonato, afinal, a torcida tem que apoiar...
E ai daquele que falar mal do nosso  time...
Sempre escuto que amor incondicional é amor de pai e mãe...  e aqui acrescento,  e amor de torcedor.
Quem explica este sentimento? Aliás, quem entende este sentimento? 
Só quem tem um time do coração...
No universo do torcedor de carteirinha, como para qualquer apaixonado, se aplica Camões:
"É querer estar preso por vontade, É servir a quem vence o vencedor, É ter com quem nos mata lealdade...), 
E a carta de São Paulo aos Coríntios: 
"(...) Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (...) Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado."
Exagero???
Pois bem; Não se pensarmos que não há nada, além do prazer, que nos obrigue a desmarcar outro compromisso e utilizar a famosa frase  "Não posso, hoje tem jogo", que deveríamos, é receber insalubridade pelas quase síncopes, ataques de pânico, risco iminente de um infarto agudo do miocárdio durante os 90 fatídicos minutos de um jogo (risco este, que duplica durante os acréscimos, e se a decisão for para os pênaltis... traz o desfibrilador!!! Se considerarmos que deveríamos também receber periculosidade, por conta do perigo que representa ir ao estádio certas vezes...
Considerando que, de forma alguma, abrimos tantas conceções para alguém, e suportamos tantas mancadas, tantas desilusões, que, mesmo sendo maltratados por esta leviana paixão, desiludidos e arrasados, basta uma vitoriazinha mequetrefe para que voltemos a acreditar neste amor ... considerando que, vivemos sim, profetizando a tal "caixinha de surpresa" ... Camões, Coríntios... é pouco...
Mesmo que um homem seja conhecido por seus sérios problemas quanto ao quesito fidelidade (ai, que eufêmica...), este sentimento ele não trairá jamais, nem em pensamento, nem de brincadeira...
Ele nunca flertará com qualquer outro time, se não aquele a que prometeu ser fiel, amar e respeitar, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da vida... e muito provavelmente já tenha feito "O" pedido... quer ser enterrado com o manto sagrado...
A gente enrola, posterga a visita ao parente que mora na cidade vizinha, mas viaja a distância que for para ver o time jogar; Diz que não tem mais saco para aglomerados, mas se enfia na muvuca do estádio; Reclama do trânsito caótico, mas nem se incomoda no engarrafamento de dia de jogo.
Que futebol corre nas veias do brasileiro,  todo mundo sabe, não é de hoje, mas acho que a paixão maior não é a seleção, esta é esporádica, paixão mesmo é pelo time do coração, (seja ele da série A, B, C... "Eu nunca vou te abandonar!!") que acaba funcionando como uma extensão da vida pessoal do torcedor, como se, no campo, velhas questões pudéssem ser resolvidas, zeradas, antigos desafetos transferidos (e vingados).
Quem nunca torceu desesperadamente, vendo seu time jogando contra time de ex, de chefe, daquele pilantra, daquela sacana, daquele mala fanático??? (lógico, torcedor chato é sempre do time adversário)
O time ganhou???
Bora tirar sarro dos outros, cobrar a aposta, soltar foguete...
O time perdeu???
Corre para desligar o celular, olhar a tabela, fazer cálculos, conjecturas... e novena!!!
 Só quem vai ao estádio sabe o que significa uma vitória nesta situação (ou em qualquer outra...)
- A vida está uma droga, mas meu time... Ah, meu time!!!

Como definir o sentimento ao ver aquele batalhão nas cores do time, lotando o estádio? ( jogo em casa... ô maravilha!!!)
Como mensurar a tensão na rivalidade de um clássico?  "Clássico é clássico e vice-versa".
(Lembrete: Não espere de um torcedor apaixonado atitudes politicamente corretas - quando o  time "pedra na chuteira" jogar, mesmo que com outro adversário, ele vai secar mesmo!!!!)
Quem precisa de terapia, quando se tem a oportunidade da catarse da torcida? (berrando, xingando, e gesticulando coisas que deixariam qualquer mãe em dúvida quanto à real origem da educação dos seus)
Vibrar com entrada do time em campo, ficar afônico e arrepiar-se cantando o hino e os gritos de guerra, a hora do bandeirão, da ola... e a explosão da hora do GOOOOOOL!!!!!!! (Super manjado mas... "Não tem preço")
Torcedor doente, dá jeito de fazer as coisas mais inusitadas, (e tolas também):
Leva a bandeira do clube para o Egito, e bate foto enrolado nela, na frente da tumba do Tutankamon;
Corre risco de ser preso porque cisma em amarrar a flâmula no topo da Torre Eiffel;
Tatua o emblema do time no braço;
Homenageia o artilheiro batizando o primogênito de Cleidisnelson (tadinho) se for dele o gol do campeonato;
Sobe no palco no dia da formatura, do casamento para cantar o hino do time;
Arruma encrenca com o vizinho, com a família da(o) namorada(o), com amigo de infância... Tudo, sempre, movido por esta paixão.
Só um torcedor doente é capaz de entender outro...

Mas... e quanto a mim  e "Meu" Avai?????
Pensando bem ...
Ele até que jogou bem, teve ótimas chances, só faltou sorte, realmente o vento atrapalhou, o técnico tem lá seus méritos, não se pode menosprezar a campanha que o time adversário vem fazendo, e também não dá para ganhar sempre, né?! ...
Mas o juíz... 
Ahhh!!!Este continua sendo aquilo mesmo!!!!